sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Apenas um de muitos...

 E se...

E se dormíssemos de mãos dadas
Para acreditar que você nunca iria embora?
(Assim seríamos nossa mais linda fantasia,
cada vez mais entrelaçados em nós mesmos.)

E se nos plantássemos no mesmo vaso de flor
Para acreditar que nunca nos separaríamos? 
(Assim seríamos as raízes que perfuram a terra,
cada vez mais mergulhados em abissal sentimento.)

E se agíssemos todo dia sempre igual ao de ontem
Para acreditar que ninguém desse lado se sinta amputado?
(Assim seríamos o símbolo de de todas as tribos reunidas,
andando junto e povoando cada espaço.)

E se fechássemos a janela do quarto ao amanhecer 
Para acreditar que voltamos no tempo algumas horas?
(Assim seríamos a possessão de tudo, de nós,
onde todas as palavras do mundo são ditas, em silêncio.)

E se colocássemos mais alguns grãos na nossa ampulheta 
Para acreditar que o fim fosse mais longo e intenso?

(Assim seríamos os que na despedida,
fixam seus olhos nos que amam,
na esperança que se mantenha na retina,
a ultima imagem da alegria.)

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